Foto: Reprodução/Instagram Memphis Depay
Após eliminação na Libertadores, cobranças das organizadas e novos episódios internos aumentam a tensão no clube
A crise do Corinthians ganhou novos capítulos nesta terça-feira. Após a eliminação na Libertadores, as principais torcidas organizadas foram ao CT Joaquim Grava na última sexta-feira para cobrar jogadores e diretoria. A manifestação aconteceu em meio à pressão que já vinha crescendo pelos resultados e pelos problemas internos do clube.
A cobrança, porém, ganhou um novo capítulo nesta terça-feira, quando veio à tona a informação de que o goleiro Hugo Souza se exaltou durante o encontro com representantes das organizadas. O episódio expõe ainda mais a tensão existente dentro do clube após a eliminação.
A pressão chegou ao elenco
O momento também pode ser percebido nas entrevistas dos jogadores. Após a derrota para o Fluminense, o zagueiro Gustavo Henrique chamou atenção pelo tom e pelo semblante durante a entrevista. A imagem transmitida é de um jogador abatido e sentindo o peso da pressão que tomou conta do Corinthians.
O cenário também é diferente de outros períodos de crise. Desta vez, o elenco não conta com a mesma blindagem que existia em momentos anteriores, principalmente durante o trabalho de Fabinho Soldado, que assumia parte da pressão externa e procurava proteger os jogadores dos problemas políticos e administrativos do clube.
Essa blindagem ocorreu inclusive durante o processo de impeachment de Augusto Melo, quando o ambiente político do Corinthians também era bastante conturbado. Agora, com cobranças das organizadas, problemas financeiros, conflitos administrativos e resultados negativos, os jogadores estão mais expostos.
Transfer bans aumentam o peso da crise
Fora de campo, o Corinthians também enfrenta um problema que se tornou recorrente: os transfer bans. O clube está impedido de registrar novos jogadores por causa de dívidas e chegou a ficar com três punições simultâneas, que somam aproximadamente R$ 21,5 milhões. A equipe terminou a última janela de transferências sem conseguir contratar reforços e ainda não tem prazo definido para derrubar as punições.
O problema é ainda mais preocupante porque não se trata apenas de uma dívida isolada. São diferentes pendências que vão se acumulando enquanto o clube precisa, ao mesmo tempo, pagar salários, direitos de imagem e outros compromissos. Nesta semana, o Corinthians voltou a atrasar direitos de imagem, chegando a dois meses de pendências com jogadores e membros da comissão técnica.
E tudo isso acontece em ano eleitoral no Corinthians. Em vez de chegar ao período eleitoral discutindo apenas futebol e planejamento para as próximas temporadas, o clube convive com dívidas, transfer bans, atrasos, conflitos políticos, cobranças das organizadas e um time pressionado dentro de campo.
É justamente aí que fica uma das principais críticas ao momento atual: a crise deixou de ser um problema pontual e passou a atingir diferentes setores do Corinthians ao mesmo tempo. O torcedor cobra resultados, mas também cobra explicações sobre como o clube chegou novamente a uma situação em que não consegue registrar jogadores por causa de dívidas.
Uma crise que ultrapassou os resultados
O Corinthians não vive apenas uma crise esportiva. A sequência de derrotas, a eliminação da Libertadores e a proximidade da zona de rebaixamento são consequências que aparecem dentro de campo, mas os problemas financeiros e administrativos ajudam a explicar o ambiente de instabilidade.
A própria diretoria reconhece que a situação econômica interfere no futebol. O clube chegou a admitir que a crise financeira contribuiu para a formação de um elenco mais curto e para as dificuldades enfrentadas durante a temporada.
Agora, a pressão está espalhada: torcida cobrando, diretoria tentando administrar dívidas, jogadores expostos e um clube entrando em ano eleitoral novamente cercado por problemas.
O Corinthians precisa encontrar respostas dentro e fora de campo. Porque, neste momento, não é apenas uma temporada ruim. É uma crise que vem se acumulando e atingindo cada vez mais áreas do clube.
