Luiz Inácio Lula da Silva | Presidente do Brasil | Partido PT
Todo mundo sabe que o Brasil é o país do futebol e um verdadeiro celeiro de craques. Mas, quando olhamos para a conta bancária dos nossos principais times, a situação é bem diferente do brilho que vemos no campo.
Enquanto os clubes europeus conseguem planejar o futuro com tranquilidade e muito dinheiro em caixa, os dirigentes brasileiros passam o ano inteiro tentando sobreviver a dois grandes inimigos. Esses problemas são os juros cobrados pelos bancos e uma montanha de impostos do governo.
A armadilha dos juros e o estádio que não sai do papel
Pense no funcionamento de um cartão de crédito. Se você gasta mais do que ganha e paga só o valor mínimo, a dívida vira uma bola de neve por causa dos juros. Com os clubes de futebol acontece exatamente a mesma coisa.
Um exemplo revoltante de como isso paralisa o esporte no país inteiro vem do Flamengo. Em uma entrevista à Rádio Flamengo em 2024, o presidente Bap explicou de forma bem direta o motivo de adiar a obra no terreno do Gasômetro:
“Não vamos fazer um estádio com taxa de juros como está no Brasil hoje. Custa R$ 3 bilhões o estádio, 15% de juros ao ano são R$ 450 milhões. Dividido por seis, são 80 milhões de euros. São dois Paquetás por ano só de juros, sem pagar nada do principal. Fazer um estádio nessas condições é um suicídio esportivo. E aí você vai bater de frente com o ‘vencer, vencer, vencer’.”
Essa conta assustadora mostra a realidade do nosso esporte. O dinheiro que deveria erguer a casa da torcida vai direto para o bolso do sistema financeiro. A grande maioria dos times brasileiros sofre com isso diariamente. Quando precisam de crédito para pagar contas urgentes, os juros são tão absurdos que o dinheiro ganho com bilheteria e televisão acaba servindo apenas para alimentar uma dívida infinita.
O peso dos impostos em absolutamente tudo
A quantidade de impostos no Brasil afeta o esporte em todas as áreas. A primeira delas é na hora de contratar. O salário de um jogador, de um massagista ou da equipe de limpeza custa quase o dobro para o clube devido às taxas do governo. Isso destrói o orçamento que poderia ser usado para montar equipes mais fortes.
Além disso, o futebol de alto nível exige tecnologia. Se um time quiser trazer equipamentos médicos modernos do exterior para curar jogadores mais rápido, o imposto cobrado na fronteira é gigantesco. Projetos inteiros de modernização são cancelados porque o governo fica com uma fatia irreal do dinheiro.
Por que vendemos nossos craques tão cedo?
Essa mistura de dívidas com juros abusivos e impostos altíssimos gera um desespero por dinheiro rápido. É por esse exato motivo que vemos nossos jovens talentos indo embora para a Europa assim que completam dezoito anos.
Eles não saem só porque a Europa paga em euros. A verdade nua e crua é que os clubes brasileiros precisam vender suas joias desesperadamente para não fechar as portas e conseguir pagar os credores. Viramos apenas uma fazenda de exportação, pois o custo de manter um negócio no Brasil não permite que os times segurem seus ídolos.
Virar empresa resolve o problema?
Nos últimos anos, muitos clubes decidiram virar empresas e adotaram o modelo de SAF. Isso deu um pequeno alívio, pois o governo criou uma regra que diminui um pouco a carga de impostos para esses times.
Mas engana quem acha que a SAF resolve tudo. Investidores milionários de fora do país fazem as contas antes de comprar um clube brasileiro. Quando percebem o nível de impostos e os juros absurdos da nossa economia, muitos desistem ou oferecem valores muito menores pelas nossas equipes.
O que precisa mudar de verdade
Para que o futebol brasileiro volte a reinar absoluto e bata de frente com a Europa, a paixão da torcida não é mais suficiente. O país inteiro joga contra os próprios clubes.
O esporte é uma indústria que gera milhares de empregos, mas continua sendo espremida por um sistema injusto. Enquanto os bancos e os impostos continuarem vencendo essa partida de goleada, os times brasileiros jogarão na defesa financeira, e nós continuaremos vendo nossos melhores jogadores brilharem apenas pela televisão.
