Consórcio questiona decisão judicial e afirma que liberação pode abrir precedente para outros clubes; Conmebol ameaça transferir confronto em caso de nova mudança de local
A definição do estádio para a partida de volta entre Vasco e Boca Juniors, pela semifinal da Copa Sul-Americana, virou uma disputa judicial. Mesmo depois de conseguir novamente autorização para jogar no Maracanã, o Cruzmaltino ainda não encerrou o impasse. O consórcio formado por Flamengo e Fluminense, responsável pela administração do estádio, voltou a recorrer contra a decisão que libera o confronto no local.
O jogo está marcado para terça-feira, dia 20 de outubro, às 21h30. Depois de vencer o Boca Juniors por 1 a 0 na Bombonera, com gol de Adson, o Vasco chega em vantagem na disputa por uma vaga na final. Entretanto, a indefinição sobre o estádio passou a dividir as atenções com a preparação para a decisão.
Vasco consegue autorização, mas consórcio volta à Justiça
A disputa começou porque o Vasco deseja receber o Boca Juniors no Maracanã, já que São Januário não atende à exigência mínima de capacidade estabelecida pela Conmebol para a semifinal. O clube, então, buscou na Justiça o direito de utilizar o estádio.
Na terça-feira (13), o Vasco conseguiu uma nova decisão favorável na Justiça do Rio de Janeiro, determinando a liberação do Maracanã para o confronto. O clube chegou a anunciar que os ingressos estavam esgotados, com aproximadamente 60 mil bilhetes vendidos para a partida.
A decisão, porém, provocou mais um movimento do consórcio Fla-Flu, que acionou a Justiça para tentar suspender a autorização concedida ao Cruzmaltino.
Fla-Flu teme precedente para outros clubes
Um dos principais argumentos apresentados pelo consórcio é que a liberação do Maracanã ao Vasco por meio de uma decisão judicial pode abrir precedentes para que outros clubes também recorram à Justiça para conseguir mandar partidas no estádio.
Na avaliação dos administradores, uma decisão favorável ao Cruzmaltino pode influenciar futuras solicitações de outras equipes interessadas em utilizar o Maracanã, ampliando as disputas sobre a utilização do espaço e as condições previstas no contrato de concessão.
O consórcio também questiona os critérios para a disponibilização do estádio e aponta preocupações relacionadas à organização dos eventos, à segurança e à preservação do gramado.
O Vasco, por sua vez, defende o direito de utilizar o Maracanã e contesta as restrições impostas à realização da partida. O debate envolve ainda um acordo firmado em 2025, que previa a possibilidade de o clube disputar quatro jogos por temporada no estádio até 2026.
A discussão vai além do confronto contra o Boca Juniors: coloca em evidência quais critérios devem ser utilizados para permitir que outros clubes mandem partidas no principal estádio do Rio de Janeiro.
Conmebol ameaça levar a partida para o Paraguai
Diante das sucessivas mudanças judiciais, a Conmebol comunicou ao Vasco e à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que não pretende aceitar uma nova alteração de local provocada por decisão judicial.
A entidade estabeleceu que, caso a Justiça volte a impedir a realização da partida no Maracanã, o confronto será transferido para o Paraguai. A possibilidade representa um risco para o Vasco, que planeja disputar a decisão diante de sua torcida, mas pode acabar obrigado a atuar fora do Brasil.
Por enquanto, a decisão favorável ao Cruzmaltino mantém o Maracanã como palco previsto para o confronto. A nova iniciativa do consórcio, no entanto, deixa a situação em aberto.
Com a vantagem de 1 a 0 conquistada na Argentina, o Vasco tenta concentrar suas atenções na classificação para a final. Enquanto isso, a disputa jurídica segue colocando em jogo não apenas o local da semifinal, mas também o debate sobre as regras de utilização do Maracanã por outros clubes.
