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A Protegida da FIFA? Argentina sai ilesa de casos de racismo na copa de 2026

Nathan Aguillar Corazzi 27 jul 2026 3

A FIFA adora exibir faixas e campanhas bonitas contra o preconceito, mas na Copa do Mundo de 2026, a regra de “tolerância zero” parece não valer para todos. Enquanto o mundo inteiro assiste a torcedores argentinos protagonizando atos racistas descarados nos estádios, a entidade máxima do futebol simplesmente faz vista grossa.

O Absurdo ao Vivo: O Caso IShowSpeed

O exemplo mais claro dessa impunidade aconteceu com o famoso youtuber IShowSpeed. Em transmissões ao vivo para milhões de pessoas, o influenciador negro foi alvo de xingamentos, chamado de “macaco” e atingido por objetos atirados por torcedores da Argentina. Tudo gravado, tudo público.

E o que aconteceu com a seleção argentina? Absolutamente nada. Nenhum jogo de portões fechados, nenhuma perda de pontos ou expulsão de torcida. Apenas o silêncio e a lentidão de investigações que não dão em nada.

Casos mais recentes:

O que mais revolta o público não é apenas o crime, mas a proteção descarada. Quando outras seleções fizeram a mesma coisa, a mão da FIFA e da UEFA foi pesada. Veja a diferença:

  • Hungria: Tornou-se um dos casos de reincidência mais graves recentes. Durante as eliminatórias para a Copa do Mundo em 2021, a torcida proferiu sons de macaco contra jogadores negros da Inglaterra, como Raheem Sterling e Jude Bellingham. Como punição, a FIFA aplicou uma das maiores multas de sua história contra uma federação (200 mil francos suíços) e ordenou que a seleção jogasse com o estádio vazio.

  • Croácia, Romênia e Sérvia: Logo após a Eurocopa de 2024, a UEFA abriu processos e puniu financeiramente sete federações por comportamento racista. As federações croata, romena e sérvia sofreram sanções diretas e foram proibidas de vender bilhetes para seus torcedores em jogos como visitantes no início da Liga das Nações.

  • Chile e Colômbia: Em junho de 2025, o Chile foi multado em 115 mil francos suíços após sua torcida ter atitudes racistas em uma derrota em casa justamente contra a Argentina. A Colômbia também não escapou e tomou uma multa de 70 mil francos suíços por episódios ocorridos na recepção ao Peru.
  • Bulgária: Em 2019, em um jogo contra a Inglaterra pelas eliminatórias da Euro 2020, torcedores búlgaros realizaram saudações nazistas e entoaram cantos racistas. A repercussão foi tão grande que, além da UEFA punir a equipe com dois jogos de portões fechados e multa de 75 mil euros, o presidente da Federação Búlgara precisou renunciar ao cargo.

Por que a Argentina tem carta branca para fazer o mesmo na principal competição do mundo sem sofrer as mesmas consequências?

A mensagem que fica é clara: para a FIFA, o peso da camisa e o dinheiro envolvido valem mais do que punir o racismo de verdade.

O Silêncio Ensurdecedor de Messi

Para piorar a situação, Lionel Messi, o grande ídolo e capitão do time, não deu um pio sobre o assunto. Um simples aviso ou pedido do jogador seria suficiente para enquadrar a própria torcida, mas o craque escolheu se calar. Ao não se posicionar contra o racismo que acontece bem debaixo do seu nariz, Messi decepciona fora das quatro linhas e ajuda a alimentar a sensação de que, no futebol, os grandes astros e as grandes seleções estão acima da lei.

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